São Paulo, Guarujá, 2ª Conferência Estadual da Juventude, 1.300 jovens espalhados por diversos espaços discutindo sobre políticas públicas de juventude. Em cada local uma discussão diferente acontece. Mesmo que o tema seja JUVENTUDE , uma gama imensa de idéias e opiniões criam um espaço em que pensar e expor é comum – até mesmo indispensável.

Convidados para acompanhar o ritmo frenético desta Conferência nós da: Cidade Escola Aprendiz, Rede Interferência e da Viração Educomunicação, conhecemos os dois lados de um evento que prometeu respeitar, dar voz e espaço ao jovem.
Para que uma cobertura consiga abordar diversas linguagens e mídias como fotografia, escrita, rádio, audiovisual e fanzine, redes sociais, materiais são necessários. Eles são indispensáveis, não existe maneira de fazer a cobertura acontecer substituindo por algo menor ou que não seja o que foi planejado ou pedido.
Considerando esse contexto, há aproximadamente dois meses, a organização da cobertura enviou uma lista em que continha os materiais necessários para que a cobertura acontecesse da melhor forma e que todos pudessem acompanhar o evento mais importante para juventude no estado de São Paulo. No início dessa semana, a existência dessa lista foi questionada pela organização do evento.  A lista enviada se perdeu e nós da cobertura tivemos que encontrar uma maneira de trazer equipamentos de São Paulo para cá.
A viagem de ônibus que nos foi garantida inicialmente, também não ocorreu. Uma Van e uma Kombi foram as substitutas de última hora. Como o espaço era mínimo, viajamos duas horas entre malas e equipamentos, criando um ambiente muito desconfortável.
Ao desembarcar na cidade que receberia o maior evento de juventude do Estado, todos estavam exaustos. Mas muitos começaram a trabalhar e postar as notícias que, junto com os delegados, não paravam de chegar. Além de tudo, estávamos há muitas horas sem comer e a previsão de quando poderíamos nos alimentar não chegava.
Quando finalmente os lanches chegaram, mais uma surpresa estava a nos esperar. O lanche continha presunto e como alguns integrantes da nossa equipe são vegetarianos tiveram de ficar mexendo no que iam comer e tirando pedaços para que pudessem ao menos ter o direito de manter a sua condição respeitada.
Quando as falas da mesa de abertura chegaram ao fim, fomos levados a uma escola muito próxima ao local do evento, onde supostamente ficaríamos. Ao deixar as malas no local percebemos que não tinham colchões. Como nos foi dito que o alojamento teria colchões para quem fizesse a cobertura, viemos despreparados para uma eventualidade como essa. Logo, chegou a notícia de que aquela escola não seria o lugar em que dormiríamos e que em poucos minutos seríamos levados ao colégio onde passaríamos a noite.
Bem, esperamos a chegada do ônibus juntos, tentando enganar o cansaço ou nos entreter com algo. Nessa altura todos estavam cansados, muitos com fome e outros dormindo no chão. O ônibus prometido chegou duas horas depois do que nos foi avisado e nos levou a um colégio distante do anterior. Sim, os colchões estavam lá, mas todos em péssimo estado, alguns eram apenas espumas, outros tinham buracos e a maioria cheirava mal. Com toda essa confusão dormimos aproximadamente às 3h da manhã. O evento recomeçaria às 9h e logo às 8h da manhã, boa parte do grupo já estava se arrumando e planejando estar aqui, sendo os olhos e ouvidos de quem não está,  passando tudo via redes sociais, sites, rádio itinerante e tudo que está ao nosso alcance.

Ao iniciarmos novamente a cobertura as novidades não paravam de acontecer e a primeira pausa aconteceu ao meio dia. Nós, que estávamos terminando algumas matérias e postando em sites, fomos ao local do almoço minutos depois do início da refeição, mas dentro do prazo de uma hora e meia. O que encontramos foram grandes filas de delegados e nas mesas bandejas vazias, a comida tinha acabado. O cardápio que era composto por arroz, chuchu e strogonoff de frango, logo acabou e não alimentou parte dos delegados que ficaram 40 minutos em pé com seus pratos na mão. Quando a comida foi reposta apenas o strogonoff voltou à mesa e os vegetarianos mais uma vez tiveram de se adaptar para poder se alimentar e a única alternativa foi sair do local e procurar um restaurante próximo, onde as nossas organizações pagaram para que nos alimentássemos.

Até mesmo o transporte não foi satisfatório para que, depois de um dia de trabalho e discussão, delegados pudessem voltar para seus alojamentos. Eles alegavam que o ônibus que foi buscá-los estava lotado e outro voltaria depois de um tempo que era muito grande perto dos 25 minutos que o ônibus levaria em seu trajeto. Uma das soluções cogitadas foi que o grupo acampasse na área livre que o local do evento dispunha.

Frente a esses fatos, queremos expor a nossa indignação pela forma desrespeitosa com que fomos tratados pela Coordenadoria Estadual de Juventude de São Paulo. Além disso, o nosso pedido é que na etapa nacional, nem delegados nem imprensa jovem passem pelo mesmo que nós. Que a organização realmente planeje que todos vegetarianos, jovens comunicadores, delegados e seja quem for, encontrem condições melhores do que as que encontramos na etapa estadual. Que possam ao menos ter seus direitos mínimos garantidos. Como comer, tomar banho e dormir. Para que assim como foi dito por muitos na plenária, o jovem se sinta efetivamente sujeito de direitos e respeitado por todos.

Fonte: www.agenciajovem.org

Por Ingrid Evangelista

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