segunda-feira, 1 de abril de 2002
Por SuperUser Account Ligado
Numa sala da escola estadual Luiz Gonzaga Pinto e Silva, no Jardim São Luís, os alunos estavam em roda. De repente, um deles atira uma caneta num colega. Logo é repreendido por indisciplina. Essa pareceria uma aula normal se a história acabasse aqui. Mas ela continua quando um aluno brinca: “Ainda bem que para fazer o curso a gente tem que estar desarmado!”
Os alunos desta história não eram comuns: eram policiais do Primeiro Batalhão da Polícia Militar, responsáveis pelo policiamento escolar nas escolas do Capão Redondo, Jardim Ângela e Jardim São Luís. A aula tampouco era comum: tratava-se de uma capacitação promovida pelo projeto Polícia e Escola, realizado pelo Instituto Sou da Paz em parceria com o ILANUD e financiado pela Secretaria de Estado dos Direitos Humanos.
Durante duas semanas em abril de 2002, 36 policiais do Primeiro Batalhão participaram desta capacitação, que pretendia discutir o policiamento escolar, colocando-os diante da complexidade e da especificidade desse tipo de policiamento. “Mesmo os PMs sendo fundamentais para o policiamento, vão para a escola sem o preparo específico para este tipo de trabalho”, explicou Mariana Possas, então coordenadora do projeto. Ela lembrou que os policiais recebem na Academia uma capacitação sobre policiamento escolar muito curta e basicamente voltada a questões técnicas.
A intenção da capacitação ministrada pela equipe do Sou da Paz foi que os policiais pudessem rever o seu papel nessa atividade e, a partir daí, pensar novas maneiras de agir. O fato de o grupo ser bastante heterogêneo – havia desde policiais com 15 anos de policiamento nas escolas até recém-ingressados na Polícia – enriqueceu as discussões. A capacitação pretendia oferecer aos policiais novos enfoques de atuação, e também pretendeu mostrar a eles que nem sempre são os únicos responsáveis por resolver os problemas da escola.
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