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Os jovens do programa Agente Jovem que passaram pelas oficinas ministradas pelo Instituto Sou da Paz puderam vivenciar na prática o conteúdo das aulas sobre agentes de segurança e abordagem policial. Valdir Assef, então coordenador de campo do Programa São Paulo em Paz na Brasilândia contou que “a partir das oficinas, ficaram evidentes a curiosidade e um certo preconceito dos jovens em relação ao trabalho da polícia. Achamos então que seria interessante levá-los para conhecer de perto uma Companhia da Polícia Militar. Conversamos com os Comandantes, que acharam a iniciativa inédita e promissora”, explicou.


“O resultado foi muito positivo”, continuou Valdir.”Durante as visitas os jovens puderam tirar todas as suas dúvidas num clima descontraído, onde tiveram muita liberdade para se expressar e contar histórias de abusos sofridos durante a abordagem policial. Os policiais, por sua vez, explicaram o passo a passo do processo, orientando os jovens sobre como proceder nestes momentos, e a quem recorrer em caso de abuso. Por isso consideramos essa ação importante, porque a aproximação entre jovens e policiais é sempre uma forma de reduzir os conflitos decorrentes desta interação”, conclui.

Contra a violência, uma nova relação

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Numa sala da escola estadual Luiz Gonzaga Pinto e Silva, no Jardim São Luís, os alunos estavam em roda. De repente, um deles atira uma caneta num colega. Logo é repreendido por indisciplina. Essa pareceria uma aula normal se a história acabasse aqui. Mas ela continua quando um aluno brinca: “Ainda bem que para fazer o curso a gente tem que estar desarmado!”

Os alunos desta história não eram comuns: eram policiais do Primeiro Batalhão da Polícia Militar, responsáveis pelo policiamento escolar nas escolas do Capão Redondo, Jardim Ângela e Jardim São Luís. A aula tampouco era comum: tratava-se de uma capacitação promovida pelo projeto Polícia e Escola, realizado pelo Instituto Sou da Paz em parceria com o ILANUD e financiado pela Secretaria de Estado dos Direitos Humanos.

Durante duas semanas em abril de 2002, 36 policiais do Primeiro Batalhão participaram desta capacitação, que pretendia discutir o policiamento escolar, colocando-os diante da complexidade e da especificidade desse tipo de policiamento. “Mesmo os PMs sendo fundamentais para o policiamento, vão para a escola sem o preparo específico para este tipo de trabalho”, explicou Mariana Possas, então coordenadora do projeto. Ela lembrou que os policiais recebem na Academia uma capacitação sobre policiamento escolar muito curta e basicamente voltada a questões técnicas.

A intenção da capacitação ministrada pela equipe do Sou da Paz  foi que os policiais pudessem rever o seu papel nessa atividade e, a partir daí, pensar novas maneiras de agir. O fato de o grupo ser bastante heterogêneo – havia desde policiais com 15 anos de policiamento nas escolas até recém-ingressados na Polícia – enriqueceu as discussões. A capacitação pretendia oferecer aos policiais novos enfoques de atuação, e também pretendeu mostrar a eles que nem sempre são os únicos responsáveis por resolver os problemas da escola.

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O curso ministrado pelo Polícia e Escola em abril de 2002 ganhou destaque em dois grandes jornais da cidade de São Paulo. Leia aqui as matérias publicadas no Diário de São Paulo e no Jornal da Tarde.

Lançamento do projeto Polícia Escola

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Casos de indisciplina, depredações, agressões físicas e verbais são freqüentes nas escolas públicas do país. Muitas vezes, a polícia é chamada para resolver os conflitos, mas os limites de sua atuação e da autoridade escolar estão confusos. Para construir uma nova relação entre educadores e policiais, foi criado em 2001 o Projeto Polícia e Escola, que tinha como principal objetivo formar policiais militares para que eles enfrentassem da maneira mais adequada o problema da violência nas escolas.

Coordenado pelo Instituto Sou da Paz e ILANUD, o projeto começou com o levantamento de bibliografia sobre violência na escola e a criação de um grupo de trabalho com profissionais das áreas de educação, segurança pública, sociologia, psicologia, além de membros das Secretarias de Educação e Segurança Pública. No dia 22 de setembro de 2001, estes profissionais se reuniram para apontar as diretrizes para a elaboração do curso de treinamento de policiais. A idéia era criar uma metodologia de formação que seria testada em um grupo reduzido e depois poderia ser difundida e incorporada  pela Polícia.