quarta-feira, 12 de março de 2003
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Se de um lado os jovens são reconhecidos por sua indignação, capacidade de mobilização e criatividade, por outro, as estatísticas mostram que este é o grupo mais vulnerável à violência. Por causa disso, parece natural que a elaboração de propostas de prevenção seja feita, em parte, por essa fatia da população. Esse tipo de iniciativa ganhou um reforço considerável quando o Governo Federal convidou ONGs para pensar e propor idéias junto com comunidades locais.
Assim nasceu o Cenafoco, Centro Nacional de Formação Comunitária, voltado para a capacitação de potenciais lideranças comunitárias em todo o Brasil. Em São Paulo, o Cenafoco vem sendo executado pelo Instituto Sou da Paz. O principal objetivo do projeto é formar líderes comunitários que atuem como empreendedores sociais junto às comunidades. “Para isso, trabalha-se muito a questão da transformação da realidade por vias não-violentas, como o diálogo com diversos atores”, complementa Luciana Guimarães, diretora de projetos do Instituto Sou da Paz.
Atualmente, há oito grupos. Os jovens do Jardim São Luiz, Capão Redondo, Horizonte Azul, Campo Limpo, Heliópolis, Sapopemba, Jardim Ângela e Jardim Elisa Maria já concluíram a primeira etapa, a capacitação. Agora, estão prestes a encerrar a trajetória proposta: realizar o projeto, elaborado por eles mesmos, que traga benefícios à comunidade- a partir de um diagnóstico das demandas locais.
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quarta-feira, 12 de março de 2003
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Evelise Santana Santos tem 20 anos, mora no Jardim Horizonte Azul e é aluna do Cenafoco.Cristina Pereira de Souza, de 19 anos, mora em Diadema e participou do Observatório de Direitos Humanos. Felipe Tadeu de Lira Ferreira, de 19 anos, mora no Jardim Ângela e é aluno do Cenafoco. Sergio Martins da Cruz tem 20 anos e participou do Observatório de Direitos Humanos- turma de Sapopemba. Estes quatro jovens entrevistaram Oscar Vilhena Vieira, professor de direitos humanos na PUC/SP e diretor-executivo da ONG Conectas.
Sergio - Qual o conceito que o senhor poderia dar sobre Direitos Humanos?
Oscar- Eu penso os Direitos Humanos como uma forma pela qual as pessoas passam a reconhecer as outras enquanto merecedoras do mesmo respeito e consideração que elas exigem para si. Aquilo que eu acho que é importante pra mim para que eu tenha uma vida digna, eu estou disposto a conceder pro outro. Direitos Humanos sempre tem uma relação entre direitos e deveres.
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terça-feira, 11 de março de 2003
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A turma do CENAFOCO de Sapopemba começou a colocar em prática, em março de 2003, o projeto que desenvolveu para beneficiar a comunidade. Batizado de Diagnóstico Jovem, o projeto pretendia oferecer oficinas culturais e profissionalizantes para jovens e adolescentes entre 7 a 22 anos de idade.
Oficinas de cabeleireiro, modelo e manequim, teatro, capoeira, cartoon e grafite, foram oferecidas durante dois meses, de 3ª feira a domingo, as 17.30h na Casa da Juventude no Bairro do Jardim Sapopemba (Hospital de Sapopemba).
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sábado, 8 de março de 2003
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Quarta-feira, sete horas da noite. Iluminados pela lua cheia, dois jovens conversam numa praça do bairro Santa Júlia, em Itapecirica da Serra. O assunto é a entrevista que eles se preparam para fazer com o Mestre Canibal, capoeirista que trabalha há mais de 10 anos na região sul.
Claudemiro Oliveira da Silva e Alberto Rodney Resende, os dois repórteres, explicam que esta é mais uma entrevista para a primeira edição do jornal Informação na Quebrada, iniciativa da turma do CENAFOCO do Jardim Horizonte Azul. Depois de participar do curso de empreendedores sociais, a turma desenvolveu um projeto baseado numa demanda por mais informação, e de melhor qualidade, sobre o que acontece na zona sul de São Paulo.
O grupo escolheu os temas das primeiras edições do jornal: Cultura e Lazer, Difusão de Informação e Saneamento Básico. Em seguida, dividiu as funções: há fotógrafos, repórteres, digitadores, colunistas e diagramadores, que têm trabalhado para ver o Informação na Quebrada circulando.
Eles fizeram entrevistas com o dono de um bar famoso na região, com grupos de rap e representantes da ARCO, associação que atende jovens e crianças da comunidade. Além disso, fizeram matérias sobre a Associação Monte Azul, o skate e redigiram receitas fáceis, gostosas e baratas, " diferentes daquelas que a Ana Maria Braga divulga e que ninguém na periferia pode fazer", explica Evelise Santana, responsável pela coluna de culinária.
Os próximos passos do grupo são fechar parcerias com a comunidade - ou fora dela, já que o importante é "mostrar um outro lado da quebrada que a mídia não mostra para quem está do outro lado da ponte", resume Edson Candido, orientador comunitário do grupo.
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quinta-feira, 6 de março de 2003
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O que pode ser feito para promover os direitos humanos? Qual a relação entre hip-hop e direitos humanos?
Estes foram alguns dos temas que os jovens do projeto Observatório de Direitos Humanos de São Paulo discutiram no início de 2003, em encontros com especialistas nestes assuntos. Manuela Schreiber, do CRAVI (Centro de Referência e Apoio à Vítima), Pedro Guasco (sociólogo estudioso do hip-hop) e Fernanda Fernandes de Oliveira, do CDH (Centro de Direitos Humanos) foram alguns dos convidados.
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