Para muitos brasileiros, um processo que se desenrola nos imponentes corredores e salas de conferência da longínqua ONU pode parecer um tanto irrelevante para seu dia-a-dia. Tal sensação é compreensível, mas não condiz com a realidade do fluxo de armas no país, que tem a desonra de ser o campeão mundial em números absolutos de mortes anuais por armas de fogo. 85% das armas apreendidas pela CPI do Tráfico de Armas são brasileiras, mas um contingente cada vez mais visível tem procedência internacional. Provindas do tráfico internacional e passando por portos mal monitorados e fronteiras porosas ou entrando legalmente para lojas e forças de segurança e depois desviadas, estas armas muitas vezes são automáticas, de maior calibre e poder de fogo que suas similares nacionais. O noticiário policial nos oferece repetidos exemplos de sua prevalência e poder de destruição, especialmente em casos específicos como das facções do crime organizado no Rio de Janeiro.
O Brasil é o segundo maior exportador de armas do continente americano – após os EUA – e o sexto maior exportador de armas leves (pistolas e revólveres) do mundo. Os números são impressionantes: 2,3 milhões de armas produzidas entre 2002 e 2006, das quais 1,7 milhões exportadas. Portanto, nosso país tem um papel de destaque tanto na oferta quanto na demanda por armas, comprovados vetores da violência urbana e catalisadores de conflitos internos ao redor do mundo
É exatamente por isso que o Instituto Sou da Paz tem se empenhado na ONU por um Tratado de Controle do Comércio de Armas. Incrivelmente, estes produtos literalmente desenvolvidos para matar não têm nenhum tipo de regulamentação jurídica global, podendo ser exportados ou importados ao bel prazer de países e muitas vezes grupos armados.