terça-feira, 1 de janeiro de 2008
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Maria Juliete Lopes Rodrigues, 18 anos, é gremista e aluna da E.E. Professora Maria Corrêa na zona leste. Já faz três anos que o grêmio existe lá, e hoje ele conta com 22 alunos, da sexta e oitava série do ensino fundamental e do 2º e 3º ano do ensino médio. As eleições são transparentes e têm a ajuda de professores e da direção, sendo que a apuração dos votos e a abertura da urna são feitas em público. Para evitar que os alunos interessados em participar do grêmio percam aulas, as reuniões são feitas no intervalo. A relação do grêmio com a direção da escola é tão boa que “A Rosana (diretora) deu carta branca pra gente!” brinca.
E os alunos deixaram claro que sabem o que fazer com tanta responsabilidade. Foi aberta uma sala de cinema na escola, que conta com sessões de vídeos escolares e sessões livres; eles criaram o “Intervalo Animado”, que uma vez por mês trás um DJ para se apresentar no intervalo; conseguiram salas próprias para a 1ª série; reabriram a sala de informática; conseguiram uma sala própria para o grêmio e ampliaram a sala de xadrez. Prova de que o trabalho conjunto da direção, alunos organizados e professores dá resultado. Cristina Pavone, professora da escola, acha que o corpo docente deve apoiar esse tipo de iniciativa, uma vez que “A participação no grêmio não atrapalha em nada o rendimento do aluno, pelo contrário, é parte de um processo de amadurecimento.” Até mesmo em relação à organização o grêmio tem um efeito benéfico. Cristina conta que “Os gremistas tem uma tabela com os horários em que cada um deve estar presente, como se fosse um ponto! Nunca vi nada igual!”.
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terça-feira, 1 de janeiro de 2008
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Gabriela Pala do Nascimento Colasso tem 12 anos, faz parte do grêmio estudantil da E.E. Phylomena Baylão, na zona norte. O grêmio existe lá desde 2005, e conta com 13 alunos da sexta série. Ela sabe a importância da ação coletiva organizada para transformar a realidade: “Graças à participação no grêmio comecei a pensar positivo, e ver que nada é impossível”. Mas o amadurecimento de uma instituição tão poderosa e mobilizadora quanto um grêmio estudantil não se dá por obra de apenas uma pessoa. Professores e diretoria também desempenham um papel central neste processo, trabalhando junto com os estudantes.
De tempos em tempos os alunos do grêmio passam em todas as salas ouvindo sugestões, críticas e dando informes, de forma a aproximar o máximo possível todo o corpo estudantil de suas atividades. “Aniete (diretora da escola) sempre dizia que fazer um grêmio acontecer não é fácil, e que era preciso muita coragem. A professora Carol também nos incentiva muito, especialmente quando as coisas parecem que estão caminhando pra dar errado”, ela diz. As eleições acontecem depois que todas as chapas já expuseram seus planos de gestão de sala em sala, e contam com a ajuda da direção principalmente na apuração dos votos.
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terça-feira, 1 de janeiro de 2008
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Daiane Pereira de Figueiredo, 18 anos, foi aluna do E.E. Professora Ruth Cabral, na zona leste. Lá o grêmio existe desde o ano 2000, e conta com 14 alunos, basicamente do 2º e 3º ano do ensino médio e da sétima e oitava séries do ensino fundamental. As reuniões acontecem fora do horário de aula, para não prejudicar os alunos. “A experiência do grêmio é um processo de aprendizado, com erros e acertos”, diz. Entre as realizações do grêmio da qual fez parte estão: um mural de comunicados para alunos e o movimento “cesto de lixo”, que transformou o ambiente escolar num ambiente muito mais limpo.
Os alunos do grêmio organizaram também um cursinho preparatório para o vestibular, aberto a todos da escola. Porém o mais importante, segundo ela, foi a melhora na comunicação entre professores, alunos, funcionários e direção. “Guardo muita coisa boa da minha vivência como gremista, mudei minha vida completamente, passei a dar mais valor para a escola. A Beatriz (diretora) era muito aberta ao diálogo, e a Tânia (professora de geografia) e o Fabiano (professor de filosofia) nos apoiavam muito” conta. O voto nas eleições do grêmio é eletrônico, e conta com o auxilio de um programa de computador que registra e contabiliza os votos.
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terça-feira, 1 de janeiro de 2008
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Diones Costa Gomes Ferreira tem 18 anos, e foi membro do grêmio na E.E. José Lins do Rego, no Jardim Ângela, na zona sul. Lá o grêmio existe há sete anos, e conta com 25 pessoas basicamente do ensino médio. Ele diz que uma amiga mais velha “e alguns professores me encorajaram a criar uma chapa, uma vez que eu era bem envolvido nas questões e problemas dos alunos.” A organização das eleições é feita da maneira mais democrática possível. O estatuto do grêmio é explicado para os gremistas aspirantes, e é realizado um debate que conta com a mediação de um professor, onde as diversas chapas e os alunos opinam e expõe suas propostas. Após as eleições a gestão antiga se reúne com a nova para discutir as pautas e projetos em andamento, de forma que os novos gremistas possam optar por dar continuidade a eles ou não.
A elaboração de um projeto conta sempre com a participação da direção, e como quase todas as salas de aula possuem pelo menos um aluno gremista ele se encarrega de levar os planos em andamento para os colegas. Para participar do grêmio o aluno precisa apresentar um bom rendimento nas aulas, caso contrário é cobrado não só por seus professores, mas também por seus colegas gremistas, já que segundo Diones “participar do grêmio não pode servir de desculpa pra muitas faltas ou notas ruins”.
Entre as realizações de sua gestão, ele destaca: “nós conseguimos fazer com que cobrissem a quadra, o que era uma reivindicação antiga dos alunos, e o pedido se encontrava perdido na burocracia da escola. Para conseguir isso a gente fez um abaixo assinado e envolveu a comunidade também, contamos com um apoio grande da comunidade”. Hamilton Ferreira Rocha, professor de educação física da Lins diz que a participação dos alunos no grêmio os deixa mais participativos na interação com o corpo docente, e que há um “salto qualitativo nos projetos e propostas quando os alunos, professores e diretoria se articulam”. Segundo ele, o papel dos professores além de incentivar o grêmio é também o de “tentar sempre deixar os alunos com os pés no chão, ajudando-os a focar naquilo que pode e deve ser feito e reivindicado”.
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