Localizado na região sul de São Paulo, o distrito do Jardim Ângela, com seus mais de 50 bairros e 300 mil habitantes, já foi considerado pela ONU o lugar mais violento do mundo.
Em 1996, o distrito apresentava as taxas de homicídio mais altas da cidade. Para se ter uma idéia, naquele ano, o risco de um morador do Jardim Ângela ser assassinado era 14 vezes maior do que o de um morador do Jardim Paulista. Entre 1997 e 2001, quando os homicídios atingiram seu pico, o Jardim Ângela perdeu 1.123 vidas.
Mas este cenário mudou nos anos seguintes. Em 2005, uma pesquisa da Fundação Seade apontou que, entre 1999 e 2004, o Jardim Ângela conseguiu reduzir os homicídios em mais de 70%, superando a redução média (de 40%) que aconteceu na cidade de São Paulo. O distrito chegou a passar mais de 50 dias sem nenhum registro de assassinato.
Estes resultados foram possíveis porque houve uma concentração de esforços por parte de todos os setores da sociedade, público e privado, comunidade local e organizações de fora. A comunidade se mobilizou, criou um Fórum para pensar e implementar projetos para atender grupos atingidos pela violência e ainda exigir mais investimentos na região. O Estado fortaleceu sua presença, levando programas sociais, investindo em melhorias no transporte público e introduzindo ali um novo tipo de policiamento. O Instituto Sou da Paz, por sua vez, entre 2000 e 2005 concentrou todos os seus projetos de intervenção no distrito, além de participar ativamente da mobilização comunitária local.
Aqui, você pode conhecer essa história.