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Em 2002, o número de paulistanos assassinados diminuiu quase 10% em relação a 2001, segundo dados do Pro-Aim (Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade, da Prefeitura de São Paulo).

Foi primeira vez que isso ocorreu desde 1997, quando houve uma redução de 1% em relação ao ano anterior. Nos últimos cinco anos, as estatísticas municipais mostraram um aumento progressivo dos assassinatos, seguido de uma estabilização de 1999 a 2001.

Os números em São Paulo mostram que a periferia, sempre campeã em mortes, é a líder no ranking de redução no número de assassinatos. Moradores de distritos como Grajaú e Jardim Ângela (zona sul de SP) continuam sendo as maiores vítimas de homicídios (330 e 231 casos, respectivamente, em 2002), mas estão entre os que tiveram maior melhora.

No ano passado, houve 46 casos a menos - a terceira maior redução- de assassinatos de moradores do Jardim Ângela, alvo preferido de diversos programas sociais do poder público e de ONGs desde o início da década.

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Considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1996 como o bairro mais violento do mundo, o Jardim Ângela está mudando de cara. Mais de 200 entidades desenvolvem trabalhos sociais na região, levando cultura, lazer e educação à população. Grandes redes comerciais acreditam no potencial do bairro e começam a se instalar na sua área central, trazendo perspectivas de crescimento econômico.

 

“Violência não é caso só de Polícia”, afirmou o padre Jaime Crowe, de 56 anos, coordenador do Fórum em Defesa da Vida e Contra a Violência, animado com as novas perspectivas.

 

Os projetos sociais na área central do bairro ganharam força depois de apoios importantes, como o da Unicef, através do programa Criança Esperança, promovido pela Rede Globo, e do Instituto Sou da Paz. Focados em crianças, jovens e suas famílias, tais projetos aumentam a esperança de melhorias para a comunidade.

 

Para os moradores, a principal prova disto é a recente chegada de grandes redes comerciais, na altura do número 4.300 da Estrada do M´Boi mirim, onde está a Base Comunitária da Polícia Militar. Nesta área, instalaram-se lojas do Supermercado Barateiro, da Rede Marabraz e da grife de surf Empório. As Casas Bahia também já compraram terreno na vizinhança. 

 

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Em outubro de 2001, o grupo de jovens participantes do projeto Observatório de Direitos Humanos lançou o 1º Relatório de Cidadania, um documento detalhado com os resultados das pesquisas e as demandas das comunidades onde eles realizaram o trabalho. O lançamento aconteceu na Universidade de São Paulo, com a presença de representantes do poder público, lideranças comunitárias e especialistas em direitos humanos.

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As taxas da violência em São Paulo mudam com freqüência, avançam em alguns distritos, seguindo o rastro da pobreza, e recuam em outros, mas o rosto de quem a pratica é sempre jovem, numa faixa etária que não ultrapassa os 25 anos.


No Jardim Ângela, que em 1996 foi recordista em violência, há uma concentração de entidades não-governamentais que se dedicam aos jovens. O padre Jaime Crowe, coordenador de uma dessas organizações, afirma que esse trabalho é uma das possíveis causas de a taxa de homicídios ter ali caído.


Segundo os dados do Proaim de 2000, Jardim Ângela está em sexto lugar no ranking do crime.
A Sociedade Santos Mártires, do padre Crowe, criou o RAC (Reintegração do Adolescente na Comunidade), que mantém cursos alternativos como o de grafitagem. Por esses cursos, passam por ano cerca de 300 jovens.

Observadoras do Jardim Ângela lançam LUPA

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Em maio de 2001, o grupo de jovens do projeto Observatório de Direitos Humanos lançou na Associação ARCO o jornal comunitário LUPA.  O jornal pretendia ser “uma lente de aumento da cidadania”, ou seja, mostrar aos moradores a situação de seus bairros, apontar soluções e convidar todos a participar de mudanças.

“Não enfie a cabeça na areia como um avestruz”, convidava o editorial do jornal. Além de trechos de depoimentos de entrevistados durante o trabalho, o jornal tem seções intituladas “Busca de Solução”, listando os serviços de apoio. Com uma tiragem de 5 mil exemplares, o jornal Lupa foi lançado durante o mês de maio em cada uma das comunidades que participaram do projeto – Jardim Ângela, Jardim Jacira, Heliópolis e Jardim Comercial.  

No lançamento do Jardim Ângela, Marli, Marcileide e Viviane apresentaram seu trabalho, que abordou a violência policial, homicídios e violência doméstica.  Além de fazerpesquisas para colher dados com os moradores da região, elas pesquisaram serviços de atendimento a vítimas da violência, como a Ouvidoria da Polícia e, na zona sul de São Paulo, a Casa Sofia .

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