Nesta 3ª edição do Prêmio Polícia Cidadã, foram premiadas oitos ações policiais; seis desenvolvidas na cidade de São Paulo, uma em Mogi das Cruzes e outra, em Santo André. Das oito ações, quatro foram desenvolvidas por policiais militares, duas por policiais civis e uma por membros da Polícia Técnico-Científica e a outra foi realizada por policiais militares em parceria com a polícia técnico-científica.
Além disso, cinco ações policiais receberam menção honrosa. E a ação policial Relacionamento, desenvolvida em Biritiba Mirim e vencedora da categoria Escolha Popular, recebeu um reconhecimento especial das mãos de José Junior, diretor da ONG carioca Afroreggae.
Veja abaixo o resumo das ações premiadas vencedoras do III Prêmio Polícia Cidadã.
O Exame de DNA como Ferramenta na Elucidação de Crimes e na Identificação de Pessoas
Local: Butantã / São Paulo – Polícia Técnico-Científica
Até o ano de 1999, para checar se um suspeito tinha mesmo cometido um crime, o Instituto de Criminalística só podia realizar testes de sangue. Naquele ano, depois de passar por um treinamento intensivo em laboratórios de universidades e até fora do país, uma equipe de peritas implantou o Laboratório de DNA para atender a região da Grande São Paulo, que concentra a maior demanda nacional esse tipo de análise (600 casos/ano).
A introdução do exame de DNA reduz custos e tempo de análise, já que não é preciso recorrer a outros laboratórios e garante à investigação policial e à Justiça elementos que contribuem para a elucidação de crimes e identificação de pessoas e cadáveres.
Apesar de ser comum em países desenvolvidos, um laboratório de DNA com equipamentos e procedimentos de ponta é raro para o Brasil. A equipe venceu as limitações financeiras e deu um salto de qualidade nas investigações ao implementar o laboratório.
O trabalho pioneiro de normatização da coleta, custódia, armazenamento e envio das amostras biológicas, executado pelo laboratório, resultou na Resolução SSP 194/99, recomendada pela SENASP (Secretaria Nacional de Segurança Pública) como padrão a ser adotado pelos laboratórios de DNA de todo o território nacional.
O laboratório tornou-se referência e está inovando e atualizando a maneira de se fazer polícia científica no país. A taxa de sucesso de suas análises (60%) está entre as melhores do mundo.
Policiais premiadas:
Ana Claudia Pacheco, Cristiana Lekich Gonzalez, Eloísa Aurora Auler Bittencourt,
Margaret Mitiko Inada, Miriam L’Abbate e Norma Sueli Bonaccorso.
Polícia para a Comunidade
Local: Vila Guilherme / São Paulo – Polícia Militar
Ao perceber o aumento da violência nos arredores da praça Oscar da Silva, na Vila Guilherme, a equipe de policiais da Base Comunitária da região começou a desenvolver projetos para enfrentar o problema.
Estes projetos se voltaram para a prevenção por meio do patrulhamento, sempre com um trabalho de respeito e aproximação ao cidadão. Assim, os policiais começaram a realizar, em parceria com comerciantes do bairro, voluntários e até com uma universidade da região, mutirões de limpeza da praça, encaminhamento de indigentes a albergues da região, jogos e brincadeiras com crianças e adolescentes e outros eventos públicos como sessões de cinema na praça. Essas ações aproximaram a polícia da comunidade, que passou a ter mais confiança para fazer denúncias. O policiamento comunitário, com passagem nas residências e comércios da região para entender como anda a segurança local, ajudou a queda geral do número de ocorrências na área. E o número de roubos e furtos caiu muito com as patrulhas da viatura.
Além disso, com a valorização da praça, que é um espaço coletivo, aumentou a sensação de segurança de todos.
Policiais premiados:
Andréia Pereira Araújo, Angélica Bezerra Lins, Luis Carlos Pereira e Maria Íris Rodrigues
Pesquisa na Área de Química Forense - O Resíduo Gráfico Azul
Local: Centro / São Paulo – Polícia Técnico- Científica e Polícia Militar
Quando uma arma de fogo é disparada, uma série de resíduos metálicos fica presente nas mãos e na roupa de quem efetuou o disparo. O exame residuográfico é capaz de diagnosticar esses resíduos que costumam adquirir uma coloração vermelha, composta por chumbo e cobre.
Ao longo dos anos, uma perita criminal do Instituto de Criminalística percebeu que algumas amostras de resíduos apresentavam uma coloração azul, mas como não havia bibliografia nem estudos sobre esse fenômeno, os testes permaneciam não-conclusivos. Mas ela não desistiu e depois de muitos anos de testes e pesquisa, em parceria com o GATE (da PM) e a USP, a equipe conseguiu identificar a composição desta coloração azul: rodizonato e ferro.
Estes elementos estão presentes em armas de fabricação caseira, o que permitiu à equipe concluir que, quando o resíduo é azul, a pessoa disparou uma arma de fogo caseira.
Assim, por causa do empenho e insistência da equipe, um grande passo foi dado para aperfeiçoar as investigações criminais nessa área.
Policiais premiados:
Eric da Silva Moura, Luiz Antonio Alves e Regina do Carmo Pestana de Oliveira Branco
Paz Para Quem tem Carro
Local: Mogi das Cruzes – Polícia Militar
Em 2005, o expressivo aumento de furtos de veículos no centro da cidade de Mogi das Cruzes em 2005, levou a PM a repensar a maneira de lidar com esse tipo de delito. Eles começaram a formar um novo policiamento, voltado especificamente para enfrentar esse problema, valorizando a inteligência em vez da força.
Com o incentivo do comandante, alguns policiais decidiram mapear essas infrações, colhendo todos os tipos de dados necessários, como marcas de veículos mais roubados, locais e horários de maior incidência. Para aprofundar sua pesquisa, usaram as informações do Infocrim, abrindo as ocorrências relatadas e procurando detalhá-las, às vezes até fazendo um trabalho investigativo e procurando as vítimas. Além disso, começaram a fazer um policiamento ostensivo nas áreas mais críticas e chegaram a fazer cursos para entender o modo de agir dos assaltantes.
Com isso, a presença estratégica dos policiais nesses locais contribuiu imensamente para a grande queda nos índices de roubos e furtos de veículos na região, além de aproximar a polícia da comunidade.
Os policiais conseguiram diminuir o número de incidentes em 71%, chegando até a ter zero incidentes em alguns meses. E já têm uma metodologia de trabalho que pode ser aplicada em outros problemas da região, como o tráfico de drogas.
Além disso, os envolvidos na ação se sentem estimulados e orgulhosos, porque puderam participar do planejamento da ação, ser pró-ativos e perceber rapidamente os resultados do trabalho.
Policiais premiados:
Alcides Dias Correa Neto, Cláudio Rodrigues dos Santos, Jesus Mariano da Silva,
Marcos Roberto Rodrigues de Andrade e Rogério Fernandes Lúcio
Mesa Redonda
Local: Vila Clarice / São Paulo – Polícia Militar
Os policiais que idealizaram essa ação já tinham uma experiência de realizar palestras em escolas para jovens e adolescentes. Ao perceber que alguns alunos das escolas do bairro não achavam ruim cometer atos infracionais e ser enviados para a Febem, a equipe de policiais se preocupou com este problema e começou a desenvolver uma estratégia para mostrar aos jovens o valor de uma vida em liberdade.
Assim surgiu a idéia de promover jogos de futebol entre os alunos das escolas e os internos, levando os alunos a depararem com a realidade vivida na Febem, de forma a tomarem consciência de que não vale a pena se envolver em infrações.
Com o apoio do comandante do Batalhão e da subprefeitura, os policiais conseguiram um ônibus que levava os alunos das escolas à Febem toda sexta-feira. Além disso, conseguiram na escola uma sala para realizar uma “mesa redonda” , uma conversa entre os alunos que visitaram a Febem e seus outros colegas da escola.
Do lado dos jovens da Febem, os jogos têm uma influência positiva no comportamento pessoal. Os jogos semanais são aguardados com grande expectativa pelos internos, que vêem uma oportunidade de relacionarem-se com o mundo externo.
Por parte dos alunos, a PM passou a ser vista de forma diferente, pois além das palestras realizadas com os alunos e das dicas, informações e conselhos que oferece, foi capaz de propiciar a estes alunos um momento de recreação com uma atividade não usual, seguido de uma importante reflexão sobre esta visita.
Policiais premiados:
Cleuma Nunes de Araújo Alecrim, Gerson Nunes e Marcelo Ferreira
Projeto Cururu
Local: Santo André – Polícia Civil
O projeto realizado por policiais do DISE teve início em 2003, a partir da percepção de que não havia programas de prevenção ao uso de drogas focados em alunos acima da 4ª série. Assim, formou-se um grupo de policiais civis que realizou diversos cursos e palestras.
Quando o grupo foi oficialmente desmembrado, os policiais decidiram continuar o trabalho por conta própria. Reuniram-se com especialistas das mais diversas áreas (médicos, advogados, professores) para aperfeiçoar as palestras e já atenderam 10 escolas da região. Assim, a Polícia Civil está fazendo um trabalho de prevenção ao uso de drogas sem um enfoque moral, valorizando o aspecto científico e a multidisciplinariedade do problema, adaptando a palestra para cada perfil de público atendido.
Esse trabalho ultrapassou os muros das escolas e os policiais já realizaram cursos de capacitação em sindicatos, associações e até na Câmara dos Vereadores.
Policiais premiados:
Armando Ferreira Correia, João Xavier Fernandes, Jorge Maciel de Andrade, José Airton Marques e Paulo Henrique Ferreira Cavalcante
Legitimação à Distância
Local: São Paulo – Polícia Civil
Legitimação é a identificação de uma pessoa através de suas impressões digitais. Até novembro de 2005 ela era feita de modo lento e caro: era preciso se deslocar da delegacia até o centro de identificação, atrasando a investigação e trazendo custos para a Polícia.
A equipe teve a idéia de minimizar os custos e agilizar o procedimento de análise das impressões digitais utilizando uma estratégia muito simples. Conseguiu scanners e impressoras que possibilitaram tamanha qualidade da imagem que elas poderiam ser enviadas inclusive por fax.
Isso permitiu a implantação da legitimação em todo o estado de São Paulo de modo que, hoje, todas as Delegacias têm acesso a uma legitimação rápida e segura.
Esta é uma idéia simples e fundamental para o bom trabalho policial.
Policiais premiados:
André Dahmer, Carlos Antônio Guimarães de Sequeira, Paula Cristina Nunes de Barros Scarance Fernandes e Tânia Flávia Nagashima Simonaka
Projeto Canteiros - Colhendo Segurança e Beleza para a Comunidade do Jardim Ranieri e Adjacências
Local: Jardim Ranieri / São Paulo – Polícia Militar
Em fevereiro de 2006, incomodados com o número de atropelamentos (cerca de 5 por mês) que ocorriam em frente à Base Comunitária do Jardim Ranieri, a equipe de policiais resolveu reunir-se com líderes da comunidade, comerciantes e moradores locais para tentar resolver o problema. Também consultaram as quatro escolas da região e perceberam que mais de mil crianças atravessavam aquele trecho de uma avenida movimentada todos os dias para ir estudar.
Decidiram que, com algumas reformas no local os índices de atropelamento poderiam diminuir. Rebaixamento da guia – que beneficiaria usuários de cadeiras de rodas, carrinhos de bebês e etc. – colocação de faixa de pedestres, instalação de semáforos, e construção de jardins nos canteiros para evitar que as pessoas atravessassem a avenida no lugar errado foram as estratégias adotadas. Para viabilizá-las, os policiais conseguiram parcerias com a CET, o projeto Pomar, a subprefeitura de M´Boi Mirim e comerciantes locais.
As escolas do bairro se tornaram parceiras e os policiais passaram a fazer palestras e distribuir panfletos nas salas de aula.
Com todas essas mudanças simples, o número de acidentes diminuiu em 80% desde que o projeto foi implantado.
Policiais premiados:
Adolfo de Moura Lóra, Edson da Silva, Eliane Cristina Belchior, José Venâncio T. Filho, Milton Vieira da Silva e Sérgio Firmino da S. Neto
